A ARTE INSTIGANTE E EXPLOSIVA DE VHILS

Nascido em 1987, o português Alexandre Manuel Dias Farto começou a grafitar os muros de Lisboa com apenas 11 anos de idade. Foi nesse mundo da arte urbana que ganhou seu apelido, Vhils, pelo qual é hoje conhecido em todo o mundo. Após concluir seus estudos na University Of Arts, em Londres, desenvolveu uma técnica, “Scratching The Surface”, em que desgasta as paredes para formar desenhos. Ele se tornou conhecido quando uma de suas obras realizada dessa maneira apareceu ao lado de uma obra de Banksy no Cans Festival, de Londres, sendo considerada uma das melhores e mais interessantes abordagens artísticas para a arte urbana.

Enquanto crescia e ganhava corpo, o trabalho de Vhils pela periferia de Lisboa chegou a ser descrito poeticamente como um tipo de arqueologia urbana, por expor o que está por trás da superfície visível. Em uma entrevista ao site chinês Zolima City Mag, Vhils confirma: “Muito do trabalho que faço está relacionado a isso. Ataque, destruindo a superfície das paredes para revelar o que está por baixo, e o que está lá são geralmente camadas de paredes que estavam presentes há 50 anos. Então, é como estabelecer de volta uma conexão com o passado”.
Desde 2005 ele já apresentou seu trabalho em mais de 30 países ao redor do mundo, não apenas em exposições, mas também através de colaborações com instituições de arte como o Centro Pompidou, de Paris, o Barbican Centre, de Londres, CAFA Art Museum, de Pequim, Museu de Arte Contemporânea de San Diego, a fundação EDP, de Lisboa, e trabalhos com comunidades brasileiras.

Ao lado da francesa Pauline Foessel, dirige uma das principais galerias de arte contemporânea de Lisboa, Underdogs. Aberta em 2013, tem como filosofia dar espaço a artistas cujos trabalhos tenham alguma ligação com a cultura visual e urbana. Desde 2015 Vhils também tem um estúdio em Hong Kong.
Muitos dos seus trabalhos ainda podem ser vistos nas ruas diversas cidades do mundo. No site do artista há um mapa interativo em que é possível saber onde estão localizadas.

Buscando novas formas de expressão, nos últimos anos Vhils tem desenvolvido outras técnicas, que envolvem desde gravuras em metal até explosões pirotécnicas e vídeo instalações.

Ele também dirigiu vários videoclipes, curtas e o espetáculo Periférico, apresentado durante o BoCA – Biennals od Contemporary Arts em Lisboa, em que trabalhou com um time de dançarinos, coreógrafos músicos e videomakers em uma reflexão sobre o ambiente urbano de Portugal.
Em 2014 foi convidado pela banda irlandesa U2 para realizar um clipe para o projeto Films of Innocence, projeto visual organizado pelo realizador Jefferson Hack, no qual foi dada total liberdade criativa para um time de renomados artistas de diversas partes do mundo para criar um clipe para uma das faixas do álbum Songs Of Innocence.