A ARTE VIBRANTE DE HILDEBRANDO DE MELO

Provocativa, enigmática e misteriosa são alguns dos adjetivos que já foram usados para definir a obra do artista plástico angolano Hildebrando de Melo. “Muitos a definem precipitadamente como pintura abstrata, mas este é mais um engano do que esta obra quase esotérica encerra”, escreve o crítico de arte espanhol Fernando Galan, no prefácio do livro Deep, lançado em 2015 em comemoração aos 20 anos de carreira do artista. Com quase 600 páginas, o livro retrata apenas uma fase da carreira desse artista cuja produção traz sempre um elemento inovador, questionador e político, uma marca sempre presente em seu trabalho.

Essa postura fica ainda mais explícita nos textos escritos pelo artista em suas redes sociais, especialmente em seu facebook, onde sempre publica reflexões que vão desde a necessidade de um posicionamento político em resposta aos problemas sociais e econômicos de Angola, racismo e até questionamentos sobre o papel de um galerista e um marchand.

 

“Quero tentar ir além do imaginário, onde o ser humano em pensamento ainda não chegou ou nunca esteve, a descoberta de novas paragens, um sítio novo na mente”, diz Hildebrando ao definir sua obra, sempre aberta a infinitas possibilidades de leitura e interpretação. Funcionando como um cronista de seu tempo, suas pinturas e esculturas são uma tradução de suas observações cotidianas que questionam sua existência individual, mas também trazem um olhar generoso ao destino coletivo da humanidade.

 

Hildebrando nasceu em 1978 em Huambo, no sul de Angola, em meio à guerra civil, cresceu em Portugal, para onde sua família mudou quando o artista tinha apenas cinco anos de idade e foi nesse país que teve suas primeiras aulas de pintura, aos 11 anos de idade. Lá completou seus estudos e em 2000 retornou ao seu país de origem e montou seu atelier na sede da União Nacional dos Artistas Plásticos de Angola (UNAP), em Luanda. Seu currículo inclui várias exposições em países como Portugal, EUA, Alemanha, Itália, África do Sul, Índia, Espanha e Holanda, uma bolsa de estudos em Nova York e uma residência artística em Manchester na Inglaterra.

Sempre consciente da necessidade de uma postura política e ativista, continua levantando sua voz contra as dificuldades enfrentadas pelos artistas em seu país ao mesmo tempo que encanta o mundo com a força de suas obras. Após um período difícil em que vários de seus projetos foram paralisados por conta da pandemia, em maio deste ano o artista retornou com a exposição Mantrax, no CCBA (Centro Cultural Brasil Angola), em Luanda. Parte dessa exposição pode ser apreciada nas fotos publicadas no instagram do artista.

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Hildebrando de Melo foi indicação da chef Marcia Lousada, que participou da primeira edição do Festival FIXE. Nascida e criada em Luanda, Angola, é formada em gastronomia e professora na área hoteleira.

 

Créditos das fotos:

foto de capa: facebook do artista

fotos matéria: instagram @hildebrando_de_melo