A HISTORIA DE ANGOLA NA OBRA DE PEPETELA

Considerado um dos principais nomes da literatura de seu país, Pepetela (Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos), tem uma obra consistente sempre norteada pela valorização da identidade angolana, anticolonialismo, profunda crítica sociocultural e engajamento político. Seus textos, que incluem mais de 25 obras entre romances, crônicas e peças de teatro, são famosos por retratar a história de Angola, e trazem muitos elementos da vida do escritor, que desde cedo teve contato com o pensamento revolucionário.

Aos 17 anos se mudou para Portugal, para estudar engenharia, mas logo mudou de ideia, optando pelo curso de letras na Universidade de Lisboa. Nessa época participava ativamente de reuniões com estudantes das colônias portuguesas em que refletiam sobre política, cultura e anticolonialismo. Já um militante de esquerda, escapou do alistamento obrigatório no exército português ao se mudar para Paris onde morou por seis meses e depois foi para a Argélia, onde se formou em sociologia e ajudou a fundar o Centro de Estudos Angolanos.

Desde 1963 militava pela independência angolana, até que em 1969 voltou ao seu país para fazer parte da guerrilha junto ao MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola). Foi nessa época que recebeu o apelido de Pepetela (que significa “pestana” na língua Umbundo), que posteriormente usou para assinar suas obras.

A independência de Angola tem uma história conturbada, mas um dos principais facilitadores foi a situação política de Portugal, que em 1974 derrubou o regime ditatorial do Estado Novo, com a Revolução dos Cravos. Na época três grupos disputavam o governo angolano: UNITA, FNLA e MPLA, que acabou assumindo o governo e proclamando a independência no dia 11 de novembro de 1975.  Nesse novo governo Pepetela se tornou um dos fundadores da União dos Escritores de Angola, e até 1982 ocupou o cargo de Vice-ministro da Educação. Após esse período se tornou professor na Universidade de Luanda, e passou a dedicar mais tempo à literatura. Curiosamente, Pepetela se tornou um grande crítico do MPLA, do qual participou, por discordar da política que se aproximava do pensamento neoliberal.

Seu romance mais famoso, Mayombe, de 1979, fala sobre as aventuras dos guerrilheiros através da história do personagem Sem Medo, chefe de um grupo que além da luta pela independência de Angola e combate a extração de madeira da floresta de Mayombe. Ao lado dos aspectos políticos o livro, de narrativa densa, expõe os sentimentos e os conflitos dos guerrilheiros.

Em 1997 Pepetela se tornou o mais jovem escritor, primeiro autor angolano, e o segundo africano a receber o Prêmio Camões, um dos mais importantes da literatura mundial.

Confira abaixo uma entrevista com o escritor em que ele fala sobre sua história, sua obra, literatura angolana e o colonialismo.

Obras  de Pepetela:

 

ROMANCES:

1972 – As Aventuras de Ngunga

1978 – Muana Puó

1979 – Mayombe

1985 – O Cão e os Caluandas

1985 – Yaka

1990 – Lueji

1992 – Geração da Utopia

1995 – O Desejo de Kianda

1997 – Parábola do Cágado Velho

1997 – A Gloriosa Família

2000 – A Montanha da Água Lilás

2001 – Jaime Bunda, Agente Secreto

2003 – Jaime Bunda e a Morte do Americano

2005 – Predadores

2007 – O Terrorista de Berkeley, Califórnia

2008 – O Quase Fim do Mundo

2008 – Contos de Morte

2009 – O Planalto e a Estepe

2011 – A Sul. O Sombreiro

2013 – O Tímido e as Mulheres

2016 – Se o Passado Não Tivesse Asas

2018 – Sua Excelência de Corpo Presente, Prémio Correntes de Escrita

 

PEÇAS:

1978 – A Corda

1980 – A Revolta da Casa dos Ídolos

 

CRÔNICAS:

2011 – Crónicas com Fundo de Guerra

2015 – Crónicas Maldispostas