A NECESSIDADE DA REPARAÇÃO HISTÓRICA

O dia 13 de maio é conhecido como o Dia da Reparação Histórica. Não é um dia de comemoração, mas sim um dia de protesto e reflexão sobre o colonialismo praticado pelos europeus ao invadir territórios no hemisfério sul, um processo violento que inclui saque, extermínio e sequestro e o apagamento de memórias e culturas. Falar em reparação histórica não significa apenas um reconhecimento dos erros do passado, mas sim criar condições para a igualdade, para o respeito à diversidade étnico-racial, o combate ao racismo, e um conjunto de ações positivas que incluem pedidos públicos e oficiais de desculpas, repatriação, inclusão, difusão de conhecimento, compensações econômicas, cancelamentos de dívidas, reabilitação psicológica, respeito à cultura e acima de tudo entender que essa reparação ainda parece muito pouco para quem foi vítima de tantas injustiças cometidas no passado e que ainda hoje continuam presentes.

Essa preocupação sempre esteve presente durante a concepção do FIXE, dedicado à cultura dos países lusófonos que enfrentaram todo esse processo ao serem conquistados por Portugal.

A curadoria do FIXE e a contribuição de cada convidado trouxe, sem dúvidas, uma visão muito mais real sobre os países que formam essa comunidade. O conteúdo também proporciona uma reflexão sobre um passado desenhado em rotas marítimas, marcado por violências e exploração. Esse primeiro movimento de entender como chegamos até aqui, com todos falando português, foi a linha central do projeto nesta primeira edição. Um aprofundamento essencial para despertar uma melhor compreensão sobre o passado colonial, para além da narrativa do colonizador. Com olhar contemporâneo, o evento busca sua base conceitual nos estudos de decolonidade de pensadores racializados como nativos indígenas, de África e pertencentes à diáspora africana. O Festival Fixe contribui com a percepção de como esse passado ainda se faz presente – seja pela estrutura da nossa sociedade, pela ausência de ações de reparação sobre essa violência histórica e ainda por quão próximo e recente foi o processo de descolonização no caso de Angola, Guiné-Bissau e Moçambique.

Confira abaixo a opinião de alguns dos participantes da primeira edição.

Katya Aragão (ST) – Cineasta e jornalista

Marissol Mwaba (BR) – Cantora

Rudmira Fula (AO) – jornalista, atriz, apresentadora e  Idealizadora do Projeto Mira Em África – Um Outro Olhar Sobre O Continente

Zudzilla (BR) – Rapper

Rosane Borges (BR) – Jornalista, Doutora em Ciências da Comunicação e Pesquisadora

Marcia Lousada (AO) – Chef de Cozinha, Professora em Hotelaria