A POESIA GUINEENSE DE EMÍLIO TAVARES LIMA

O escritor, poeta e comunicólogo Emilio Tavares Lima nasceu em 1974, um mês antes do reconhecimento da independência de seu país, Guiné-Bissau. Filho do meio de uma família grande de 22 irmãos, cresceu em uma época em que todos nutriam a esperança de um novo tempo de paz, esperança e progresso.

Desde cedo, Emílio teve uma grande paixão pela oralidade como forma de expressão, prática comum nos países africanos, e antes mesmo de aprender a escrever já declamava poemas. Quando era adolescente ganhou uma máquina de escrever e começou a datilografar cartas para si mesmo, imaginando um “outro Emílio” que vivia num país diferente, e jamais o deixava sem resposta. Aos 15 anos começou a escrever poemas. “Escrevia para exorcizar os meus males, eternizar as minhas quimeras, transportar para o papel os meus sonhos e divagações”, diz o autor, que esperou uma década até publicar seu primeiro livro de poemas, A Esperança é a Última a Morrer, lançado na Holanda em 2002 com o apoio da Fundação Bartolomeu Simões Pereira.

Ainda jovem, Emílio se mudou para Portugal onde completou a licenciatura em Ciência da Comunicação e da Cultura pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias. Também fez o Curso Técnico de Comunicação na Escola Secundária de Sacavém, onde participou e venceu dois concursos de poesia. Algum tempo depois, mudou-se para a Escócia, onde vive até hoje e conquistou o High National Certificate in Administration and Information Technologies.

Mesmo vivendo na diáspora, Emílio sempre nutriu lembranças afetivas de sua infância e fez questão de manter laços e estimular a produção cultural da Guiné- Bissau.

O autor afirma que não é fácil ser escritor em seu país e culpa os sucessivos governos que sempre negligenciaram a cultura, mas reconhece que ainda hoje existe uma produção intelectual muito interessante, que cresce graças ao esforço individual dos autores e produtores culturais. Essa aflição levou Emílio a se tornar o mentor do Movimento literário “Djorson Nobu” (Geração Nova), que nasceu em Portugal, mas hoje possui uma célula na Guiné Bissau em que estimula e promove a obra de novos autores e tem como objetivo “unir, levar e impulsionar a expansão do espírito criativo e fortalecer a união entre os jovens guineenses espalhados pelo mundo, com gosto pela escrita; Incentivar a camada juvenil a encarar a sua formação acadêmica ou profissional como um compromisso no sentido de sanar o desemprego, a delinquência,  e promover ações acadêmicas e culturais para a inserção e divulgação da capacidade criativa dos jovens guineenses e fomentar o intercâmbio de cultura com outros países da língua portuguesa”, como ele define. Essa iniciativa foi responsável pela publicação, em 2010, de Traços no Tempo – Antologia poética juvenil da Guiné-Bissau com 23 autores. O segundo volume foi ainda maior, reunindo 46 escritores.

Reconhecido por seu talento, Emílio construiu uma sólida carreira, com vários livros publicados, como A esperança é última a Morrer, Notas Tortas nas Folhas Soltas,  Polon Msalgos e os romances Pérola do Estuário e Finhani – O Vagabundo Apaixonado, além de participações em diversas coletâneas. Por dois anos consecutivos, 2018 e 2019, foi agraciado com o troféu “Best of Guiné-Bissau Awards” na categoria literatura.

Quando indagado sobre seus trabalhos favoritos, ele diz que tem uma predileção por seu romance de estréia, Finhani – O Vagabundo Apaixonado, “por ser um livro que tem conteúdo de humanismo, solidariedade, da ilusão associada à emigração, de frustração, de esperança, da autoconfiança e do amor ao próximo.” E em relação à obra poética, cita Não me Peçam Explicações, Promessa à Pátria Amada, Celebridade vs Vaidade, Traços no Tempo, Pedaço Teu e tantos outros”.

Os livros de Emílio podem ser comprados no site do autor, em versões física ou virtual, aqui nesse link.