BUALA.ORG, DISCUTINDO QUESTÕES PÓS-COLONIALISTAS

Buala é uma palavra do dialeto quimbundo, de Angola, usada para designar bairro, periferia, comunidade. Não por acaso, esse também é o nome do site buala.org, criado com a intenção de amplificar a discussão sobre as questões pós-coloniais do hemisfério sul.

O buala.org foi lançado oficialmente em 2010, dentro do programa Terreiros da 29ª Bienal de São Paulo. A criadora do site é a portuguesa Marta Lança, doutoranda em Estudos Artísticos na FCSH, Universidade Nova de Lisboa, onde se formou em Literatura e que também trabalha como jornalista, programadora e tradutora, escrita e pesquisa para cinema. Com um extenso currículo de trabalhos em diversos países lusófonos, percebeu que muitas questões ligadas à pós-colonialidade dificilmente eram discutidas fora dos meios acadêmicos ou artísticos, e que existia a necessidade de divulgar a produção cultural dos países lusófonos, não conhecida com profundidade nem em Portugal, nem entre os países de língua portuguesa entre si.
No texto de apresentação do portal, ela escreve: “O BUALA tem incentivado o entendimento do confronto histórico, e afetivo certamente, entre ontem e hoje, para não vivermos esta história do lado nostálgico neocolonialista e para chegarmos à verdadeira interculturalidade (contra a homogeneização das culturas).

Nesse mesmo texto, são descritos os oito objetivos principais do projeto, reforçando a ideia do diálogo, do incentivo a uma prática decolonial e “combater preconceitos raciais e sexuais, articulando questões de género e raça, na denúncia das injustiças mas, sobretudo, através de reflexões aprofundadas sobre essas agendas históricas”.
Ao visitar o site, fica claro que os nomes das seções não foram criados de forma clássica, procurando uma definição mais intuitiva, através de afinidade dos formatos. Entre as 13 seções do site estão: Vou lá Visitar, dedicado a grandes eventos, exposições, bienais, festivais, etc; Mukanda é o local para textos políticos e literários; Afroscreen para cinema e multimídia; Corpo, para biopolítica e feminismo, e Cara a Cara para as entrevistas. Em apenas uma década, o site já publicou mais de seis mil artigos de três mil atores e colaboradores, e cerca de 45 exposições e galerias de artistas. Para ampliar o alcance do conteúdo pode ser acessado em português, inglês e francês.