GOMAGRUPA O COLETIVO FEMINISTA DE ARTES VISUAIS QUE PARTICIPA DO FIXE

A perspectiva da mulher artista é o ponto central do Gomagrupa,  coletivo de mulheres artistas, curadoras, escritoras, professoras e atuantes no campo das artes, reunidas com o intuito de criar uma rede de conversas e produções assumindo uma perspectiva feminista.

A artista visual Laila Terra, uma das fundadoras, define o Gomagrupa como um corpo molecular cujas partes são ligadas por um desejo potencializador de criação que une os artistas.

O desejo de iniciar o projeto aconteceu na vida de Laila há cinco anos, junto com a maternidade. “Eu acabei adquirindo o local da mulher que a sociedade coloca e o papel da mulher. Eu me tornei uma ‘entidade mulher’”. Até esse momento, ela vivia um cotidiano totalmente voltado ao trabalho e se entendia plenamente produtiva. Com a nova realidade, começou a enxergar a desigualdade vivida por mulheres. “Esse processo me isolou do mundo, eu efetivamente parei de trabalhar para assumir essa situação que a sociedade impôs de cuidar da casa e do filho. É como se tivessem me colocado numa situação de ostracismo, um isolamento social e profissional. Vi minha carreira descendo ladeira abaixo, fui sendo isolada do mundo social da arte, do contato com os artistas. E diante do meu processo particular de isolamento foi que desenvolvi esse desejo de criar esse grupo de mulheres artistas, com a proposta de trabalhar coletivamente”.

Assim se deu a GOMA, com sua proposta de pensar, estudar e propor ações acerca da produção das mulheres nas artes, de forma poética, crítica e política, considerando os percursos individuais, especificidades e potencialidades de cada integrante e compor coletivamente propostas significativas no contexto da arte contemporânea. Gerir o grupo e suas ações de forma coletiva a partir de uma organização horizontal.

Mas, assim como o mundo, elas também sofreram em cheio os impactos da pandemia. Isso levou as artistas a se comunicarem de forma remota, promoverem discussões, o que abriu espaço para que mulheres de outras cidades também pudessem fazer parte do movimento. A base principal do grupo é a ideia de “criar coisas”, principalmente aquelas que dependam do coletivo para sua realização, como uma revista ou uma exposição, com artistas que queiram potencializar essa criação. “É principalmente um espaço de discussão de arte”, explica Lara.

Neste ano, como parte do Festival FIXE, a GOMA fará uma versão de seu projeto DuplaDu, uma proposta de live diferente das que inundaram o Instagram durante a pandemia. “Durante os encontros do grupo sempre surgiu um interesse muito grande em saber como as outras de nós trabalhávamos, um desejo de ver outro artista trabalhando. Então a proposta era de ser uma live sem som e que tivesse como tema o trabalho, o fazer, a prática”, explica Lara. “Então como as lives são feitas em dupla, pensou-se nesse formato de ciranda em que a cada dia uma artista iria trabalhar com duas artistas diferentes durante uma semana. Para o FIXE, ao invés de duplas acontecerá uma grande performance de quatro horas com artistas da Goma. A idéia é que sejam muitas janelinhas com muitas artistas trabalhando, cozinhando, andando no meio do mato, etc.”