LIVRO DESVENDA A CULINÁRIA DA ÁFRICA LUSÓFONA

Falar de culinária africana como uma coisa única pode parecer incorreto, pois a dimensão geográfica do continente é tão grande quanto a diversidade de culturas, costumes, sabores e ingredientes. A cozinha do norte do continente, por exemplo, é bem diferente da praticada na Àfrica subsaariana, ou em países como a África do Sul, onde muitos pratos sofreram influências dos imigrantes indianos e colonizadores holandeses.

Embora seja rica, diversa e saborosa e tenha influenciado pratos de diversas partes do planeta, ainda permanece desconhecida por boa parte da população. No Brasil, por exemplo, esses sabores só têm ganhado destaque há alguns poucos anos, graças aos restaurantes abertos por imigrantes. É importante ressaltar que apesar de pratos como Moamba de Galinha, ou Mufete ou Cachimba ainda parecerem exóticos, a própria cozinha brasileira assimilou e adaptou inúmeros pratos africanos, como as moquecas, o mungunzá, o acarajé, caruru, angu, vatapá e quibebe.

Mesmo em Portugal, país que colonizou e explorou muitos países africanos, muitas vezes essa cozinha ainda não recebe o destaque merecido. E aí entra a história de uma chef portuguesa, Maria Augusta Carvalho, que por questões familiares se mudou para a Guiné-Bissau, onde se iniciou nos sabores e aromas africanos e desenvolveu o desejo de conhecer a cozinha da África lusófona.

Após uma pesquisa que incluiu desde a leitura de livros já publicados, até as inúmeras receitas fornecidas por amigos e familiares, ela recebeu uma proposta de uma editora para a realização de um livro com essas receitas.  O resultado foi Comeres de África Falados em Português, publicado originalmente em 2013, que continua sendo uma ótima opção para quem pretende conhecer a culinária de Angola, Cabo Verde, Guiné- Bissau, São Tomé e Príncipe e Moçambique através de mais de 270 receitas típicas.

Na apresentação, a autora diz que teve o cuidado de escolher preparações cujos ingredientes possam ser achados fora dos países originários, o que fez com que alguns pratos representativos de um território ou cultura tenham ficado de fora, e que por isso considera o livro como parte de um trabalho ainda não acabado.

As receitas são divididas por país e em subcategorias como carnes, aves, peixes, acompanhamentos, doces, sopas, etc. As receitas bem explicadas facilitam o preparo até para quem não tem grande experiência na cozinha.

O livro tem apenas dois problemas: A única edição é portuguesa, e por isso nem sempre o livro sai muito barato para quem quer comprar em outro país. Uma boa opção são as versões virtuais, como as do Kindle e Apple Books, que tem um preço bastante acessível. A outra questão diz respeito a algumas expressões idiomáticas lusitanas que podem causar estranheza a quem fala português em outros países, como por exemplo grainha (sementes), por ao lume (levar ao fogo), amanhar o peixe (limpar, tirar as vísceras), boneca-de-cheiros (buquê de ervas aromáticas, o bouquet garni) ou gambas (camarões de maior porte).  Uma excelente oportunidade para conhecer as diferenças entre o português falado nos diferentes países lusófonos.

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Comeres de África Falados em Português foi indicação da chef Marcia Lousada. Nascida e criada em Luanda, Angola, é formada em gastronomia e professora na área hoteleira. Durante a primeira edição do Festival FIXE participou de uma conversa com a chef baiana Aline Chermoula e prepararam, cada uma de sua cozinha, o tradicional prato angolano Moamba de Galinha enquanto falaram sobre as diferentes versões de receita, a influência da gastronomia africana na cozinha brasileira, entre outros assuntos. O Vídeo está disponível na FIXE TV e pode ser acessado aqui.

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Créditos das fotos:

Foto de capa: Cachupa – Kris Haamer

Calulu – Elingunnur

Moamba – Rui Gabriel Correia